Bem-vinde | Rede Transfeminista de Cuidados Digitais
A Rede Transfeminista de Cuidados Digitais atua para fortalecer a participação ativa de pessoas trans e mulheres cis no debate tecnopolítico e nos espaços de decisão e desenvolvimento das tecnologias a partir da perspectiva dos cuidados digitais.
Construímos nossos conhecimentos sobre o cuidado entre ativistas e defensores de direitos humanos e da terra, através de muita reflexão e prática coletiva.
“A grande subversão e potencial de transformação do cuidado se dá nos pequenos gestos, nas comunicações que acontecem no silêncio, nas mudanças internas que se dão na relação uns com os outres e no poder do sentir.” (RTCD, 2024)
Este site foi feito para comunicar o que fazemos, mas também para experimentar formatos que documentem a nossa memória para além do que é conhecido, retomando a experimentação do começo da internet no Brasil e também as linguagens que encantam, incomodam, subvertem e inspiram, tudo partindo da nossa tecnologia principal: a infraestrutura do afeto.
Ele é – e sempre será – uma obra em construção. Sejam bem-vindes!
A Rede Transfeminista de Cuidados Digitais atua para fortalecer a participação ativa de pessoas trans e mulheres cis no debate tecnopolítico e nos espaços de decisão e desenvolvimento das tecnologias a partir da perspectiva dos cuidados digitais.
Através da construção de processos de aprendizagem em cuidados digitais, da produção de narrativas transhackfeministas e de ações para o fortalecimento do campo dos cuidados digitais, atuamos para transformar as tecnologias em infraestruturas de cuidado, resistência e prazer.
Promover práticas de cuidados digitais enraizadas em valores transfeministas, antirracistas e comunitários, fortalecendo mulheres cis, pessoas trans e LGBTQIAPN+ por meio da autonomia tecnológica, do conhecimento coletivo e de infraestruturas de afeto. Atuamos para transformar as tecnologias digitais em infraestruturas de cuidado, resistência e libertação, promovendo soberania, solidariedade e segurança no mundo digital e além.
Acreditamos em ecossistemas tecnológicos que colocam a vida no centro, onde o cuidado, a autonomia, o afeto e a justiça guiam o desenvolvimento, o uso e a governança das tecnologias. Sonhamos com um mundo onde pessoas trans, mulheres cis e comunidades LGBTQIAPN+ possam criar, habitar e transformar as tecnologias com liberdade, segurança e dignidade.
A Rede Transfeminista de Cuidados Digitais (RTCD) teve início em 2018, e tem com objetivo fortalecer a participação ativa de pessoas trans, mulheres cis e comunidades LGBTQIAPN+ no debate tecnopolítico e nos espaços de decisão e desenvolvimento das tecnologias a partir da perspectiva dos cuidados digitais. A RTCD trabalha na construção de processos de aprendizagem em cuidados digitais, na construção de narrativas transfeministas no campo das tecnologias, e no apoio e fomento ao campo dos cuidados digitais no Brasil.
A Rede é composta por pessoas ativistas cis e trans e organizações que atuam na área de tecnologia e gênero. A governança da Rede é feita de forma horizontal, com tomadas de decisão sendo feitas de forma coletiva e com participação ativa de pessoas trans.
Queremos infraestruturas voltadas aos cuidados, às subversões, às intersecções que sustentam e revelam monstres contracoloniais, cheies de liberdade e alegria, onde nada está dado, tudo pode ser transformado em diferentes formas de viver o mundo, que nos una umes com es outres e com o planeta.
A governança da RTCD é horizontal, com decisões estratégicas sendo tomadas coletivamente por consentimento em reuniões periódicas ou assembleias convocadas extraordinariamente dependendo da urgência e impacto da decisão. A Rede conta com uma coordenação executiva formada por 3 pessoas (duas mulheres cis e uma pessoa transmasculina), sendo uma responsável pela parte financeira da organização. Em relação aos projetos, a gestão é feita de forma rotativa, de maneira a evitar centralização, desenvolver diferentes competências dentro da equipe e possibilitar maior autonomia e sustentabilidade no relacionamento e articulação com financiadores e parceiros.
Navegar na internet pode ser seguro 🙂
Processos de aprendizagem
Construímos processos de aprendizagens em cuidados digitais voltados para mulheres cis e pessoas trans e que possibilitem o aumento da proteção, do letramento digital e da autonomia em relação às tecnologias. Os processos podem ser de longo prazo e com o objetivo de apoiar organizações na construção de políticas e análises de risco, ou mais pontuais, voltados para fomentar discussões iniciais ou mais específicas. Esses processos são desenvolvidas a partir de uma escuta ativa das necessidades dos grupos envolvidos, respeitando seus contextos e saberes, e sempre a partir de metodologias transfeministas e interseccionais.
Valorizamos o compartilhamento de experiências, o fortalecimento de redes de apoio e a criação de espaços seguros para trocas sobre vivências digitais, considerando as múltiplas camadas de vulnerabilidade e resistência que atravessam os corpos e territórios dessas pessoas.
Desenvolvemos processos de aprendizagem em cuidados digitais que possibilitem o aumento da proteção e letramento digital; e o desenvolvimento de iniciativas voltadas para que pessoas trans, dissidentes de gênero e mulheres cis, com todas as suas interseccionalidades (indígenas, afrodescendentes, vivendo em comunidades rurais e em situação de marginalização) tenham protagonismo em espaços de criação, gestão política e uso das tecnologias digitais, de maneira que possam promover as mudanças que acreditam serem necessárias em seus contextos e realidades.
Fortalecimento das narrativas transfeministas
Ações voltadas ao fortalecimento das narrativas transfeministas dentro do campo da tecnologia e da sociedade civil no Brasil e também na América Latina, por meio de articulações e parcerias, criação de materiais e metodologias que evidenciem o cuidado, a perspectiva de infraestruturas de afeto e o desenvolvimento de uma linguagem simples, criativa, festiva e acessível voltada ao cotidiano das pessoas, e que crie pontes entre as tecnologias digitais e as tecnologias tradicionais ou ancestrais.
Fortalecimento do campo dos cuidados digitais no Brasil
A demanda por segurança entre as organizações da sociedade civil no Brasil é muito maior do que profissionais, ativistas e grupos que atuam na área conseguem atender. Portanto, há uma necessidade urgente de expandir e fortalecer a comunidade dos cuidados digitais no país. Nesse sentido, um dos focos estratégicos da RTCD é criar ações que possibilitem a formação e o desenvolvimento profissional de mais ativistas para atuar na área (especialmente mulheres e pessoas trans), como processos de aprendizagem para pessoas facilitadoras (training of trainers), desenvolvimento de metodologias e currículos de aprendizagem em cuidados digitais, programas de bolsas de estudo para administração de sistemas, grupos de estudo etc.
Gincanas
As gincanas são processos de aprendizagem em cuidados digitais construídos a partir de uma metodologia desenvolvida pela RTCD e denominada “infra-estrutura de afeto”. Inspirades pelas gincanas vividas na infância, com muita alegria e trabalho coletivo, a intenção do processo de aprendizagem é trocar competição por colaboração, em uma jornada criativa.
Cuidados digitais na perspectiva da RTCD
Muita gente nos pergunta o que seriam os “cuidados digitais”…
Infraestruturas de afeto: uma metodologia para vínculos afetivos
Aqui na Rede Transfeminista de Cuidados Digitais (RTCD), adoramos contar…
A nossa Biblioteca é um acervo vivo para semear, cuidar, resistir e florescer cuidados digitais, metodologias de aprendizado, segurança física e tudo o que achamos relevantes para nossas redes de afeto, a partir dos pensamentos e práticas transfeministas.A curadoria tem materiais nossos e de parceires, sendo uma forma de documentar a memória produtiva e o desenvolvimento dos nossos pensamentos aqui no nosso site.
Prato do dia: a refeição dos cuidados digitais

Senha forte e autenticação em dois fatores são o arroz e feijão aqui: juntas são a base de uma boa prática de cuidados na internet. Um cardápio que serve uma refeição completa de cuidados digitais para quem está começando.
Gincana Monstra: abrindo o código

Inspirada nas gincanas da infância, aqui trocamos competição por colaboração: oito semanas de aprendizado coletivo em cuidados digitais que viraram metodologia e infraestrutura de afeto entre transfeministas. Aprenda a fazer uma Gincana Monstra!
https://ftx.apc.org/books/pt-gincana-monstra-abrindo-o-codigo
Manual de cuidados digitais para transativistas e aliades

Doxxing, assédio, roubo de celular, vazamento de dados, nome social: um manual feito sob medida para transativistas e quem caminha lado a lado, com orientações práticas para enfrentar cada uma dessas tretas.
https://www.ibratsp.com/_files/ugd/b83822_afbadbc9a1fc4c47ab1a22b85af050e1.pdf
Rede Transfeminista de Cuidados Digitais: tecnoativismo, antivigilância e o cuidado como estratégia de resistência (2024)
Violeta Assumpção da Cunha
“Tecnofeministas se utilizam da dicotomia segurança e cuidado para dar ao cuidado a importância do seu valor, trazer à segurança digital materialidade e realidade, torná-la possível às realidades das mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e defensores de direitos.”
Neguinhas que armam a quizumba: debates sobre ações políticas e apropriações das tecnologias pelas herdeiras de Ananse da Amazônia Paraense (2024)
Thiane de Nazaré Monteiro Neves-Barros
“Desde Ananse produzimos tecnologias e as usamos criticamente, pois uma teia de prata inquebrantável não há de ser qualquer coisa, é sem dúvida um fenômeno comunicativo e, inquestionavelmente, uma tecnologia. Uma tecnologia de cuidado, de enredamento e de resistência. É disso que parte esta tese.”
Contribuições da geografia sobre a soberania de dados: estudo de caso cooperação USP- Google (2023)
Laila Almeida Braga
“Seremos nós também dados capturáveis para as Big Techs? É esse o papel passivo da Geografia sobre a naturalização da captura dos dados? Ou seria a Geografia brasileira a disciplina que falta se juntar massivamente ao coro da sociedade civil que luta contra o colonialismo de dados e o capitalismo de vigilância?”


